Ponha os olhos sobre mim. Para que eu não me desprenda, numa distração momentânea. Para que eu não ganhe as alturas. Enquanto você me olha, eu me sinto pertencido e o chamamento de uma singularidade nua, a anos-luz, continua um convite irrespondido.
quinta-feira, setembro 30, 2004
quinta-feira, setembro 02, 2004
E eu sou o filho do homem morto
Um anjo mortuário, suas palmas suaves. Cabe-lhe prolongar o anúncio da última notícia. A doce informação que me dará sentido. Sua voz como o vento balançando árvores fora da minha janela, como alguém que fala durante o sono, como a sentença que se ouve ainda nem bem dormido...
sábado, agosto 21, 2004
Espelhando o céu.
O rio do meu pai tornou-se lago. Sonhos profundos despencaram de seus cabelos. Catei-os quase todos e os guardei nos bolsos para enfeitar os meus últimos dias.
terça-feira, agosto 10, 2004
Desaceleração
De uma pisada o tempo chegou aqui. Agora, é só um passo preguiçoso. O tempo agora é um nó.
Inglório procurar o tempo quando era um rio corrente.
Eu tento e a vista recua, entremente ao branco.
Inglório procurar o tempo quando era um rio corrente.
Eu tento e a vista recua, entremente ao branco.
domingo, julho 25, 2004
Desmantelo
Ele olha, sem ser visto, os móveis se apagando na progressão do ocaso. Com eles, também a moça que dorme sob a janela, com um livro descansando sobre o colo. As feições confundindo-se com a penumbra da hora eterna de cada dia. Enternecido, o fantasma da família mistura uma prece com uma canção de ninar e escreve uma elegia no lusco-fusco.
quarta-feira, junho 30, 2004
A ida e a volta do pêndulo
Ele retira as mãos de sob as dela, respira profundamente, e busca com o olhar a ação fora da janela. Ela poderia permitir o silêncio, estalar uma impaciência ou contestar com um palavrório.
Ao invés, ela estica o braço sobre a mesa que os separa, desliza os dedos pelo pescoço dele, prende delicadamente o lóbulo de sua orelha entre os dedos indicador e médio e lança-lhe uma pluma com o olhar.
Ele inclina a cabeça para melhor receber o carinho, olha para baixo, envergonhado e sorrindo, e estende-lhe uma ponte.
Ao invés, ela estica o braço sobre a mesa que os separa, desliza os dedos pelo pescoço dele, prende delicadamente o lóbulo de sua orelha entre os dedos indicador e médio e lança-lhe uma pluma com o olhar.
Ele inclina a cabeça para melhor receber o carinho, olha para baixo, envergonhado e sorrindo, e estende-lhe uma ponte.
Interrompido
Levaram embora as luzes acesas, os sons de realejo, os caminhos bifurcados e os frios no estômago. Atrelaram-me a um metrônomo e cassaram o meu sono profundo.
Montaram-me uma paisagem de paredes brancas.
Meu futuro - o meu próprio futuro! - mudaram-no de lugar.
Montaram-me uma paisagem de paredes brancas.
Meu futuro - o meu próprio futuro! - mudaram-no de lugar.
sexta-feira, junho 18, 2004
Um mar de rostos
Cada um tem um nome que não vem ao caso. Um por um, desviam rosários particulares, procurando não cruzar olhares. Dessincronizadamente, inconseqüentemente, aumentam o múrmurio que, transformado num zumbido, derrota a atmosfera e incomoda os ouvidos de deus.
quinta-feira, abril 22, 2004
Luzeiro
A alta lâmpada que luze e desvia meu olhar do sono. Uma estrela inalcançável? Um avião que terminará entrando por minha janela? Um fogo-fátuo de um passarinho descansado?
quarta-feira, dezembro 25, 2002
Subscrever:
Mensagens (Atom)